O Amuleto de Dillenburg

Postado Por : Admin / As : 08:40



Parte I


Ellen morava na cidade de San Miguel até ela receber um telefonema do hospital avisando o óbito de seu avô, ele já estava velho e com dificuldade para respirar, constantemente precisava ser levado com urgência para o hospital, depois melhorava e retornava para casa como se nada houvesse acontecido, em uma dessas idas seu avô não voltou mais.

A semana que se passou não foi fácil para Ellen, além do sofrimento pela perda de um ente querido, ela precisou resolver algumas questões para o enterro de seu avô. Ela optou por voltar a morar com a mãe em Chicago, já que perdeu sua única família que morava na Argentina.

Com um aperto no coração Ellen arrumou suas coisas e se despediu de seus vizinhos que lhe ajudaram nesse momento difícil.

- Tchau Ellen sentiremos saudades! – Sua vizinha acenou enquanto Ellen entrava no taxi para ir ao aeroporto.

- Ellen acenou de volta sentindo o coração apertado por deixar seus amigos, mas ficar naquela casa com as lembranças de seu avô faria mal para ela.

No caminho para o aeroporto Ellen se lembrou de seu avô, no hospital poucas horas antes de falecer lhe deu de presente um colar, segundo ele não era apenas um colar e sim um amuleto que trazia sorte para a família há várias gerações e que traria sorte para ela. Ellen não acreditava em objetos que traziam sorte, mas ela guardaria com carinho o último presente dado por seu avô.

- O amuleto – Ellen falou para si mesma. - Ela abriu o bolso da mochila e o pegou, ficou alguns instantes observando como era bonito, na forma de um círculo com uma estrela dentro, um círculo menor por cima da estrela e no meio uma pedra verde, ela nunca vira nada igual, então o pendurou no pescoço.     

Quando Ellen olhou para frente percebeu que o trânsito estava todo travado, olhou para o relógio e começou a ficar preocupada, faltavam apenas vinte minutos para seu avião decolar. Ela começou a pensar em outras possibilidades para chegar ao aeroporto a tempo, como descer do carro e ir correndo, pedir uma carona para algum motoqueiro, mas como ela poderia fazer isso levando tantas bagagens. O tempo foi passando e sua lista de possibilidades se esgotando, eles passaram por uma batida de carro, não pareceu ser grave, mas foi a causa do trânsito estar tão agarrado já eram 14:10 ela tinha cinco minutos para estar dentro do avião, o taxista pisou fundo no acelerador fizeram algumas ultrapassagens perigosas e avançaram os sinais fechados.

Em fim chegou ao aeroporto, Ellen pegou sua bagagem e correu para embarcar, até a atendente acabar com o seu momento de adrenalina – desculpe, o voo para Chicago acabou de sair o próximo sairá ás 16:00.

-Não pode ser! – Ellen falou e deu um longo suspiro olhando para o relógio do aeroporto que estava marcando 14:17. – Droga por causa de dois minutos – ela desabafa com a atendente que pareceu não se importar.

Ellen foi tomar água enquanto esperava o horário do próximo voo, então olhou para o amuleto – Amuleto da sorte... Onde meu avô estava com a cabeça. Ellen apertou seu amuleto que começou a brilhar com uma luz forte. – O que está acontecendo? – Pensou.

O Amuleto de Dillenburg Parte II
E em questão de segundos o amuleto parou de brilhar.Depois de tanto esperar, já eram quase 16:00, seu telefone tocou atrapalhando sua reflexão sobre o que havia acontecido com seu amuleto. – Alô mãe, Ellen ficou em silêncio ouvindo o desespero de sua mãe do outro lado da linha – Eu estou bem, porque você está chorando? – Não, eu não embarquei, é uma longa história. - Ellen se manteve em silêncio ouvindo sua mãe – Graças a Deus por quê? Não estou entendendo. – O avião o que? – Ellen repousou a mão na testa e começou a andar em círculos no aeroporto. – É isso mesmo que eu entendi?  Saiu no noticiário que o avião o qual eu acabei de perder caiu e não houve sobreviventes? – Mãe preciso pensar, fica tranquila que eu estou bem. - Ellen desligou o telefone de boca aberta, pensando que acabou de se livrar da morte – Ela olhou novamente para o amuleto – Afinal de contas o que você é? 
No dia seguinte Ellen chegou em Chicago, a viagem foi tranquila após pegar o voo das 16:00, sua mãe a buscou no aeroporto, ao chegar em casa tinham preparado uma festa surpresa, -que ótimo, uma festa era tudo que eu queria após o acontecido pensou ironicamente. Uma festa com umas vinte pessoas na qual Ellen conhecia apenas sua mãe Neli, seu padrasto Charles, e seu irmãzinho Nick que foi correndo em sua direção para abraça-la.
- Como você está grande! – Fala Ellen abraçando seu irmão que não via há dois anos, a última vez que o viu foi quando sua família foi à Argentina visita-la, ao abraça-lo percebeu a falta que sentia dele, ele cheirava a sabão e hortelã.
Neli era muita extrovertida apresentou a filha para todos que estavam na festa, contou casos de quando Ellen era criança, enquanto isso Ellen sorria por fora, enquanto por dentro tudo que queria era ficar sozinha.
- Ellen esse é filho do Sr. Otto nosso vizinho, se lembra dele? – Ellen ficou pensativa, sabia que aquele rosto era familiar – Taylor é você? – Sabia que você ia se lembrar – ele a abraçou matando a saudade. – Você está tão diferente – Ellen não se conteve e analisou Taylor de cima em baixo. – Vou deixar vocês conversando – Neli se afastou dos dois para dar atenção aos convidados.
- Você também mudou muito, já é uma mulher. Senti sua falta quando foi embora morar com seu avô, perdi minha companheira de travessuras.  
- Nós aprontávamos muito mesmo, também senti saudades. Naquela época optei por morar com meu avô após o falecimento do meu pai, e por ironia do destino meu avô faleceu e voltei para a mesma casa, na qual passei toda a minha infância – Não precisa olhar para mim assim, eu sei que sou uma covarde.
Taylou tirou uma mecha do cabelo de Ellen de seus olhos suavemente – Não estava pensando isso de você, estava pensando que talvez tivesse feito o mesmo e que você é uma garota muito forte.
Ellen ficou nervosa com a proximidade de Taylor e se afastou. – Então que tal darmos uma volta? – Você que sair da sua festa de “Boas Vindas”? Taylor pareceu chocado. – Minha mãe é quem gosta dessas coisas, para ela tudo é motivo de celebrar, além do mais não estou com cabeça para isso, preciso investigar uma coisa. 

O Amuleto de Dillenburg Parte III
Ellen conseguiu escapar da festa, foi com Taylor dar uma volta próximo ao Lago Michigan um dos cinco grandes Lagos da América do Norte.
Não faltava assunto entre os dois eles tinham muitas novidades para contar um para o outro. Ellen conseguiu se esquecer por um tempo dos problemas e angustias que carregava consigo.
- Traga a pessoa amada em sete dias, precisa falar com pessoas que estão do outro lado da vida? Ou o problema é dinheiro? - Venha consultar com madame Sofi e resolver seus problemas - uma cartomante grita.
Ellen não pôde evitar olhar quando a mulher falou “precisa falar com pessoas que já estão do outro lado da vida” na hora se lembrou do seu avô, estava com saudades, além disso, ela queria explicações sobre o amuleto.
A cartomante ao ver o interesse de Ellen se aproximou – posso ajudar em alguma coisa mocinha?
- Você pode mesmo fazer contato com pessoas que já morreram? – Ellen pergunta descrente.
- Não duvide de Madame Sofi minha jovem – posso fazer coisas que você nem imagina. – Ellen se arrepiou ao ouvir Madame Sofi falar daquele jeito.
- Ela é uma charlatã Ellen, como você pode acreditar nessas coisas? – Venha vamos continuar nosso passeio – Taylor a pega pelo braço para continuarem a caminhada.
-Desculpa Taylor, mas preciso ver com meus próprios olhos as habilidades dessa senhora, meu avô se foi, sem que eu pudesse esclarecer algumas coisas – está tudo bem se não quiser nos acompanhar.
-Ela só quer levar o seu dinheiro, você não vê isso? – Taylor não consegue desviar a atenção de Ellen da cartomante, então resolveu acompanha-las.
- Vamos até minha casa, vou atendê-la minha jovem - se quiser fazer contato com seu avô preciso de algum objeto que ele fazia uso – Fala Madame Sofi ao chegar a sua casa.
- Sim, claro – responde Ellen entregando seu amuleto.
Madame Sofi estava sentada em um banco de madeira colocou o amuleto em cima da mesa, e começou a falar, Ellen e Taylor olharam um para o outro assustados, eles conseguiram entender só parte das coisas que Madame Sofi falava.
- Venha, mostre sua face, ruídos... – Madame Sofi revirou os olhos – eu sei que você está aí – ela derrubou um prato que estava em cima da mesa, depois abaixou a cabeça e na sequência houve um silêncio total.
- Madame Sofi está tudo bem? - Pergunta Ellen.
- A cartomante levanta a cabeça lentamente, Madami Sofi não está mais aqui.
-Vovô é você? - Ellen estava assustada.
- Não minha querida, quem está aqui é Vivian sou sua Tataravó.

O Amuleto de Dillenburg Parte IV
- Taylor estava boquiaberto – como podemos ter certeza que você é à tataravó de Ellen?
-Posso lhes dar as respostas que vocês precisam sobre o amuleto – fala Vivian tranquilamente utilizando o corpo de Madame Sofi.
-Que amuleto é esse? – Taylor fica confuso.
-Ellen mostra o amuleto - ele tem sido passado de geração em geração, meu avô me deu antes de morrer, é um amuleto da sorte que salvou minha vida. O avião que eu não cheguei a tempo para pegar caiu e não houve sobreviventes. 
- Ellen como você pode ser tão inocente em pensar que um amuleto salvou sua vida?
- Porque na hora do acidente o amuleto brilhou com uma luz intensa, era para eu ter morrido naquele momento. - Taylor ficou chocado.
- Foi exatamente isso que aconteceu – Vivian segura às mãos de Ellen com afeto.
- Poucos minutos antes do seu voo sair, nós tivemos que intervir assim que você colocou o amuleto sentimos o perigo que te esperava. Então derramamos um pouco de óleo na pista e ocorreu um pequeno acidente, foi à forma que encontramos para causar o congestionamento. 
 – Foi por isso que o trânsito estava livre, depois me distrai com o amuleto, quando olhei para frente estava tudo parado – Ela ficou pasma.
- Mas como? Como podem me proteger enquanto eu estiver usando o amuleto? – Ellen  estava confusa.
As mãos de Madami Sofi começaram a tremer.
-Espere! Grita Ellen, era tarde Vivian não estava mais no corpo de Madame Sofi.
- Olá mocinha, conseguiu falar com seu avô? – Madame Sofi retornou para o corpo.
- Não – quem apareceu foi minha tataravó.  – Ellen ainda estava confusa.
- Claro, claro, provavelmente esse medalhão é um objeto quem tem sido passado por várias gerações.  – Madame Sofi analisou o medalhão mais de perto, observando cada detalhe do objeto.
- Sei que deve ter um grande valor sentimental por esse medalhão, conheço essa história, mas o que acha de me vender? - Posso te dar uma grana boa nele ou realizar o seu maior desejo, é só falar.
- Ellen encarou a mulher durante um tempo - não posso foi um presente do meu avô, ele tem trazido sorte para a minha família há anos. – Ellen se irritou com a proposta feita por Madame Sofi e se levantou, pegou um bolo de dinheiro do bolso e colocou sob a mesa.
- Vamos Taylor, não sei onde estava com a cabeça ao vir aqui. – Taylor se levantou e acompanhou Ellen até a porta.
- Está trancada. – Fala Ellen forçando a maçaneta.
- Me deixa tentar – Taylor força a maçaneta com um pouco mais de força, de nada adiantou.
– resolveram ficar para o jantar? - Madame Sofi debocha da situação.
- Onde está a chave? – Taylor vai até Madame Sofi.
- Meu jovem, você está na casa de uma feiticeira, não seja presunçoso ao pensar que eu deveria ter uma chave, um simples feitiço e ninguém mais entra e ninguém mais sai. 

O Amuleto de Dillenburg Parte V

- Ellen começou a bater na porta – Socorro, alguém nos ajude!
- Ninguém pode ouvi-la jovenzinha, me entregue o medalhão e ninguém sairá machucado – Madame Sofi fala confiante.
- Alguém vai sair machucado, e esse alguém é você! – Taylor pega uma cadeira de madeira e bateu nas costas de Madame Sofi.
Madame Sofi foi pega de surpresa, ao cair no chão com a pancada se descuidou da porta, Ellen e Taylor correram para o lado de fora enquanto Madame Sofi ficou com um olhar fulminante.
Eles começaram  a correr e não ousaram a olhar para trás apenas quando se distanciaram da casa da feiticeira.
- Não aguento mais correr! – Ellen parou apoiando sua mão na cintura tentando tomar fôlego.  – Será que ela nos seguiu?  - Ellen se preocupa.
- Taylor olha ao redor – Nem um sinal daquela charlatã. 
-Ellen se manteve paralisada, segurou o braço de Taylor – Não se mova.
- Taylor olhou para frente ao ver um cachorro preto com os dentes para fora e a baba escorrendo por ser corpo, Taylor entrou em estado de choque – Não olhe nos olhos do cão, ele interpretará que você está o desafiando – fala Taylor paralisado.
Ellen assentiu, mas logo mudou de ideia - retiro o que eu disse, vamos fugir! - Ellen correu se afastando do cachorro e Taylor foi para o caminho oposto, perdendo o senso de direção, o cachorro disparou atrás Ellen, ao perceber Taylor foi atrás do cachorro, mantendo uma distância começou a jogar pedras para tirar sua atenção de Ellen, ela podia sentir o bafo quente do cachorro em seu braço, mas quando Taylor começou a jogar as pedras o cachorro olhou para trás e começou a correr atrás de Taylor, sem perceber ele entrou em uma rua sem saída, o cachorro o encurralou.
Ellen entrou na rua sem saída atrás do cachorro, mas agora era diferente ela não parecia ter medo – Ei Cachorro é isso que você quer? – Ela levantou o medalhão mostrando para o cachorro, o cão foi lentamente na direção de Ellen, quando chegou mais perto ele pulou em cima da menina derrubando-a no chão, ela pegou o amuleto e colocou em contato com a pele do cachorro – Eu sei que está aí vovô – sibilou Ellen olhando para o amuleto que voltou a brilhar queimando a pele do cachorro que saiu correndo chorando, Ellen ficou observando o cachorro fugir até tomar a forma de uma mulher – Madame Sofi... Como imaginei – foram as últimas palavras de Ellen até ela perder as forças e desmaiar.

O Amuleto de Dillenburg Parte VI
-Acordou minha pequena? - Ellen abriu os olhos – Vovô é o senhor? – Sim querida sou eu. – Ellen deu um abraço forte em seu avô. Era um senhor com a pele muito enrugada, cabelos grisalhos, tinha um bigode da cor do cabelo.
- Senti tanto a sua falta – os olhos de Ellen se encheram de lágrimas. – Não fique assim pequenina, estarei sempre com você, te protegerei para que nada de mau lhe aconteça, cuide bem desse amuleto e você estará sempre protegida.
- Vovô, como esse amuleto pode me proteger? - não entendo.
- Esse amuleto foi criado com o objetivo de proteger os nossos descendentes, desde o século XVIII passamos por tempos difíceis, a nossa família estava morrendo aos poucos, com várias doenças que foram surgindo e a medicina na época não era avançada como nos dias de hoje, foi então que nossos ancestrais com a ajuda de uma bruxa criaram esse amuleto, para que pudéssemos sempre cuidar uns dos outros e assim protegeremos todas as gerações da família Dillenburg  para que o nosso sangue reine na terra  para sempre, e na hora que estivermos preparados para morte passamos o amuleto para os nossos filhos, no meu caso foi diferente passei para você minha neta, os pais nunca imaginam que vão enterrar os filhos, infelizmente o seu pai morreu e eu não pude fazer nada, se eu soubesse teria lhe dado o amuleto.
- Não fique triste vovô, como o senhor mesmo disse não tinha como prevermos que ele entraria no meio de um tiroteio para salvar uma criança, foi difícil me acostumar com a ideia, mas hoje eu vejo que ele morreu como um herói e sinto muito orgulho dele por isso. 
- Ellen você é uma menina muito especial, e por isso tenho que alerta-la que pessoas invejosas descobriram sobre esse amuleto e vem tentando rouba-lo de nossa família, não permita que isso aconteça, não deixem que usem o amuleto para o mau, eu sei que você é forte, guerreira capaz de cumprir essa missão.
- A visão de Ellen começou a embaralhar.
- Ellen, você está bem? – Taylor sacudiu Ellen. 
- Ela se levantou, olhou em volta e percebeu que estava no mesmo beco sem saída que tinha sido atacada pelo cachorro.
- Será que foi tudo um sonho? - Ellen pensou em voz alta.
- Do que você está falando? – Taylor coçou a cabeça.
- Eu sonhei com o meu avô, foi tudo tão real.
- Vamos para casa, você está precisando descansar. – Taylor segurou a mão de Ellen então foram caminhando para a casa.
- Quando você estava desmaiada, fiquei tão preocupado. – Taylor parou para olhar nos olhos de Ellen. – Eu estou bem, não precisa se preocupar mais.
Taylor e Ellen estavam tão próximos, que um podia sentir a respiração do outro. – Sabe do que eu senti mais falta quando eu fui para a Argentina? – Ellen o olha fixamente.
- Taylor estava com a respiração acelerada – do que? – Precisa responder seu tolo? – Ellen o beijou, foi um beijo intenso e desesperado, Taylor a segurou pelo cabelo e retribuiu o beijo, eles não conseguiam pensar em mais nada, tudo o que queriam era que o tempo parasse e eternizasse aquele momento.
- Olá pombinhos – Eles ouviram uma voz, e rapidamente se afastaram um do outro estavam com a sensação de estarem fazendo algo de errado. 

O Amuleto de Dillenburg Parte VII (Final)

Era a Madame Sofi novamente – o que você quer? Taylor perguntou entrando na frente de Ellen tentando protegê-la da mulher.
- Saia da frente, o meu assunto é com a garota.
- É melhor você se mandar! – Taylor afronta a cartomante.
-Eu avisei – Madame Sofi com apenas um movimento rápido com o braço arremessa Taylor no chão, batendo com a cabeça em uma pedra.
- Olha o que você fez! – Ellen agachou ao lado de Taylor que estava desmaiado com a cabeça ensanguentada.
- Eu quero o medalhão! - Madame Sofi começou a engrossar a voz, fez com que Ellen sentisse arrepios na espinha.
- Nunca – esse medalhão pertence à minha família e nunca será entregue a uma bruxa!
- Madame Sofi deu um grito e ergue os braços para cima, começou a ventar forte os objetos do local começaram a girar, Ellen estava tentando proteger Taylor com o seu corpo dos objetos que estavam voando sem rumo.
Dentre os objetos voadores, alguns eram pontiagudos, Madame Sofi mirou três facas na direção de Ellen que se manteve imóvel, Ellen podia sentir as facas como se estivessem em câmera lenta – NÃO! – Gritou Ellen. Procurando se defender ela fechou os olhos colocou as mãos na frente do rosto.
- Quando Ellen abriu os olhos, seu medalhão brilhava como nunca, ela olhou para frente e viu as três facas armadas em sua direção, mas para sua sorte elas pararam milímetros antes de encostar em sua sua pele.
- Madame Sofi olhou boquiaberta – esse medalhão é muito melhor do que eu pensei.
Ellen não podia acreditar no que havia acabado de acontecer.
 - Menina idiota! – A feiticeira correu na direção de Ellen, tentando arrancar o medalhão de seu pescoço com as próprias mãos. – Eu preciso desse medalhão.
- Não precisa, ele não te pertence – Ellen estava tentando fugir das garras de Madame Sofi.
- Isso é o que veremos! – Madame Sofi começou a apertar o pescoço de Ellen com uma das mãos há deixando sem ar, com a outra arrancou o medalhão de seu pescoço.
- Ellen estava sem ar, então fechou os olhos enquanto Madame Sofi roubava seu medalhão.
- Finalmente, você é meu! - Madame Sofi começou a falar olhando para o medalhão.
- Com você terei mais forças que qualquer ser desse mundo, eu sim saberei aproveitar todo o seu poder, agora serei invencível!
- Madame Sofi estava colocando o medalhão em seu pescoço enquanto Ellen gritou com a voz fraca – Não faça isso, apenas a família Dillenburg pode fazer uso do amuleto.
- Você não sabe de nada garota!
O medalhão acendeu, a luz era tão forte que Madame Sofi nunca havia visto nada igual – Eu quero poder, muito poder!
A luz do medalhão começou a virar fogo, em contato com a pele de Madame Sofi fez com que a mulher gritasse de dor.
- O que está acontecendo? Faça parar! – Madame Sofi começou a pegar fogo.
 Ellen estava imóvel no chão, assistindo tudo como se fosse um filme passando diante dos seus olhos, quando o corpo da cartomante virou cinzas o medalhão caiu no chão e foi tudo que Ellen se lembrou, até tudo escurecer.
Quando acordou estava em casa com o medalhão no pescoço, como voltou para casa e como recuperou o medalhão Ellen não se lembrou, sua vinda para Chicago foi mais agitada do que esperava, matou a saudade de sua família, se apaixonou por seu amigo de infância, conheceu sua tataravó de uma maneira um pouco estranha, sonhou com o seu avô, ela sabia que foi um sonho tão real quanto tudo que ela passou.
As certezas que Ellen tinha antes de se mudar para Chicago se tornaram incertezas, sua forma de ver o mundo mudou totalmente, mas ela sabia que com essas incertezas encontraria seu destino a procura de certezas, e mesmo não sendo fácil, continuará procurando até que todas as suas dúvidas sejam respondidas, no momento a única certeza que Ellen tinha é que de fato o amuleto trazia sorte para sua vida, mais que isso, por mais que sentisse falta do seu avô ela sabia que ele sempre estaria por perto, e que agora ela tem uma missão, ela passou a ser a guardiã de um objeto muito poderoso e de valor imensurável não apenas pelo poder, mas foi um presente de seus antepassados. O amuleto não era apenas um objeto que salvou sua vida, ele passou a fazer parte do que Ellen realmente é, uma Dillenburg.    

Fim...

Isabela Pimenta
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